A arte de causar emoções: cineasta Marcos Bernstein explica criação de roteiros

Nathan Rodrigues

29/09/2014 às 19h11 - segunda-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h02

Os olhares não desgrudam da tela e a audiência acompanha atentamente o desenrolar dos fatos. A ansiedade pelo desfecho daquela história aumenta a cada diálogo e movimento das personagens. A trilha sonora ajuda a aumentar a tensão, aflorando os sentimentos dos espectadores.

Um enredo bem montado pode ganhar o público pela lágrima ou pelo riso. Mas não basta apenas criatividade ou uma boa escrita. Essa é uma tarefa que exige dedicação e muita prática.  Ao programa Boa Vontade Entrevista, da Boa Vontade TV, o cineasta Marcos Bernstein falou sobre a criação de roteiros, relembrando momentos marcantes de sua trajetória profissional.

Fã de cinema, ele conta que o início de carreira não foi tão romântico quanto os filmes que assistia na juventude. Encontrou um cenário desfavorável por conta da crise econômica que assolava o País no início da década de 1990. Os projetos eram poucos, como o financiamento, e a profissão parecia não progredir.
 

 

Mas isso mudou quando conheceu os irmãos Walter Moreira Salles e João Moreira Salles.  “Estava começando e não conhecia ninguém da área. Fiz um curso com eles, mas falei para o João: ‘esse curso é incrível, mas é para quem quer dirigir, quero aprender a fazer roteiros’”, conta.

O primeiro grande trabalho não demorou a aparecer. Bernstein participou da criação do roteiro de Central Brasil, um marco do cinema nacional. “O Walter tinha essa ideia e era muito bonita. Não chegava a ser uma história completa, mas toda a base do que viria a ser o filme já existia”, disse. Com a colaboração do escritor João Emanuel Carneiro, desenvolveu a trama e entregou um enredo que emocionou milhares de pessoas no Brasil e no exterior.

E como fazer com que o texto cause emoções distintas na audiência? O roteirista garante que é preciso uma vasta pesquisa sobre o assunto do filme e um olhar profundo sobre as personagens. "O papel da Fernanda Montenegro [em Central do Brasil] pedia um olhar cínico, de alguém maltratado pela vida, que vê tudo com uma certa desconfiança. Você pode fazer isso de uma maneira ranzinza e chata ou de uma forma irônica, que faça rir. E isso vem de uma história emocionante de uma pessoa que é emudecida pela vida e descobre a capacidade de se doar a uma outra pessoa", exemplifica. 
 

 

Após Central do Brasil, Bernstein colecionou projetos de peso. Entre os filmes que levam a sua assinatura, estão: Xangô de Baker Street, Zuzu Angel, O outro lado da rua, Meu pé de laranja lima e Chico Xavier. “A minha carreira decolou e eu comecei a trabalhar em muitos projetos, fazendo muita biografia, que é um gênero que se consolidou.”

Com uma prestigiada carreira cinematográfica, Marcos resolveu se aventurar em outros campos. Recentemente, escreveu a novela Além do Horizonte, da Rede Globo. Sobre a experiência, destaca: “Telenovela está no imaginário do brasileiro e era um universo que me interassava. É uma história um pouco diferente das demais, trouxe aventura, mistérios, para uma novela das sete, que tradicionalmente era de comédia. A ideia sempre foi trazer uma ideia nova, não negar ou substituir”.

Boa Vontade Entrevista vai ao ar pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY) todas as segundas-feiras, às 22h; e sextas-feiras, às 19h. Para outras informações, ligue: 0300 10 07 940 (custo de uma ligação local + impostos) ou acesse Boa Vontade TV.