
Artista das Letras: Mário Quintana e sua visão simples e bem-humorada da vida
Nathan Rodrigues
22/10/2014 às 17h10 - quarta-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h02

Mário Quintana fez de seus textos e suas poesias um retrato leve e bem-humorado da sociedade que o cercava. O talento em dar uma cor diferente a situações cotidianas que passariam despercebidas por olhos comuns fez de seu nome um dos grandes da literatura brasileira. O reconhecimento é tanto que ele é um dos escritores mais citados na internet, prova de que seu trabalho também é reverenciado pela nova geração de leitores.
Ao programa Boa Vontade Entrevista, da Boa Vontade TV, a professora Anabelle Loivos, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falou da vida e da obra de Quintana, ressaltando ainda a pluralidade de seu trabalho. “Nós conhecemos o poeta e desconhecemos o jornalista, o tradutor. Era um escritor de muitas faces”, afirma.
Para a professora, as obras do poeta sobrevivem ao teste do tempo pela maneira única de abordar assuntos cotidianos e temas inquietantes. “Ele tem todo um lirismo peculiar, um bom humor, uma ironia fina, um jeito novo e sutil de tratar de assuntos como a passagem da idade, a proximidade da morte ou o sentido da vida”, explica.
Não à toa, é considerado pela crítica como um autor citadino. “Ele é um poeta do cotidiano por ter a coragem de trazer à poesia fatos aparentemente banais, mas que falam e tocam profundamente o ser humano comum.”
Mário Quintana não foi brilhante apenas ao tecer seus próprios textos. Seus trabalhos na área da tradução também merecem destaque, tornando obras clássicas de atores como Voltaire, Marcel Proust e Virginia Woolf mais acessíveis ao grande público.
“Ele faz tradução a partir da experiência com língua estrangeira que teve como estudante secundarista do Colégio Militar. É uma pessoa que se entrega às Letras de tal forma que não cabe apenas naquilo que ele escreveu [em português], era preciso diversificar o olhar”, conta Anabelle.
As importantes contribuições à literatura brasileira garantiram ao escritor inúmeras honrarias, como o Prêmio Machado de Assis, em 1980, pelo conjunto de sua obra, e o Jabuti, no ano seguinte. “Ele foi convidado para ser doutor honoris causa por várias universidades importantes e teve esse reconhecimento até dentro da Academia Brasileira de Letras, que muitas vezes não compreendeu a sua poesia”, ressalta a professora.
O programa Boa Vontade Entrevista vai ao ar pela Boa Vontade TV (canal 20 da SKY) todas as segundas-feiras, às 22h; e sextas-feiras, às 19h. Para outras informações, ligue: 0300 10 07 940 (custo de uma ligação local + impostos).